Promoções como as da Black Friday já se tornaram parte do calendário de consumo no Brasil e, cada vez mais, chegam também ao setor da saúde. Para hospitais, clínicas e laboratórios, o período representa uma oportunidade de renovar os equipamentos tecnológicos com preços reduzidos.
No entanto, quando se pensa em eletrocardiógrafos, bombas de infusão e desfibriladores, o processo de compra exige cautela. Um investimento mal planejado pode trazer prejuízos financeiros, atrasos no atendimento e até riscos à segurança. Por isso, antes de aproveitar descontos chamativos, é essencial que os gestores hospitalares sigam critérios técnicos e legais para avaliar as aquisições.
Etapa inicial: conformidade legal e análise técnica
Todo equipamento médico-hospitalar classificado como produto para saúde precisa ter um número de registro ou cadastro publicado no Diário Oficial da União e disponível na base da Anvisa, ele atesta que o equipamento passou por avaliação técnica. A exigência é inegociável, já que garante a conformidade com normas de qualidade e segurança.
Sem esse registro, o uso do equipamento pode ser questionado em auditorias e até resultar em multas ou interdições. Também é importante verificar as especificações técnicas do aparelho em relação às demandas do hospital. Não adianta pagar menos por um modelo limitado que talvez não corresponda ao volume de atendimentos
Logística e infraestrutura: do transporte à instalação
Muitos gestores se esquecem de incluir logística e infraestrutura na equação da compra. Lembre-se de checar se a loja oferece entrega, instalação no local e garantia contra avarias. O ambiente de uso também precisa estar preparado.
Um eletrocardiógrafo, por exemplo, funciona em praticamente qualquer sala, mas equipamentos mais sensíveis, como sistemas de imagem, exigem controle de temperatura, umidade e até blindagem contra interferências.
Ignorar essas diretrizes reduz a vida útil do aparelho ou compromete resultados clínicos. Antes de fechar negócio, vale solicitar ao fabricante detalhes de infraestrutura mínima e confirmar se o espaço cumpre todos os pré-requisitos.
Treinamento e integração da equipe
Um erro comum após a compra de novos equipamentos é subestimar a importância do treinamento. Cada modelo possui características que precisam ser dominadas pela equipe. O gestor deve priorizar fornecedores que tenham treinamento presencial ou online para médicos, enfermeiros e técnicos.
Esse suporte pode vir em forma de vídeo tutoriais, workshops ou acompanhamento direto no hospital. Além do treinamento, é necessário planejar a integração com sistemas já existentes. Hospitais que utilizam prontuários eletrônicos precisam verificar se as aquisições são compatíveis e adequadas para conectar-se com os outros.
Manutenção e suporte técnico são fundamentais
Mais um ponto fundamental é a manutenção. Comprar um equipamento em promoção sem conferir a rede de assistência autorizada pode se tornar um problema. Recomenda-se checar previamente se existem oficinas credenciadas na região e qual o tempo de resposta em caso de falhas.
Mesmo que o fabricante sempre apresente as orientações sobre o suporte técnico, a indicação é planejar um cronograma de manutenção preventiva e não esperar que os problemas apareçam. Isso reduz custos emergenciais, evita paralisações inesperadas e aumenta a durabilidade do equipamento.
Higienização e biossegurança
Os produtos de saúde estão ligados ao contato com pacientes e, por isso, precisam seguir protocolos de higienização. É indispensável que o fabricante forneça instruções detalhadas sobre quais produtos de limpeza são permitidos e como realizar a desinfecção sem danificar os componentes. Manter registros das rotinas de higienização é igualmente importante.
Conclusão: promoção não pode comprometer qualidade
A Black Friday é uma excelente data para gestores hospitalares modernizarem hospitais, clínicas ou laboratórios. Seguir um checklist que inclui análise técnica, conformidade regulatória, treinamento, manutenção e higienização, é mais assertivo para garantir que cada investimento seja sustentável e beneficie tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes.




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