A Hostilidade ao Divino - quando a resistência não é a Deus, mas ao Pai

A Hostilidade ao Divino: quando a resistência não é a Deus, mas ao Pai

A mensagem central da conversa do pastor Paulo Borges Júnior é que não existe, de fato, “hostilidade ao divino”, mas sim resistência à revelação de Deus como Pai e à conversão em amor prático ao próximo; a Escritura não foi dada para alimentar devoções, dogmas ou disputas religiosas, e sim para formar em nós a natureza de Cristo e nos tornar instrumentos de justiça em favor dos irmãos.

Introdução

Na Conferência Sal da Terra 2024, o pastor Paulo Borges Júnior desmonta a ideia comum de que vivemos uma época de aversão a Deus ou de “hostilidade ao divino”. Segundo ele, o ser humano é espontaneamente devoto e religioso; o problema não é falta de culto, mas a forma como usamos nossa fé para reforçar poder, mérito e separação, em vez de revelar a paternidade de Deus e o amor entre irmãos. A partir de 2 Timóteo 3.16 e de textos como Lucas 22, ele mostra que toda a Escritura é apta para nos formar como filhos que servem, e não como devotos em busca de vantagens espirituais.

A Escritura não como teoria, mas formação de pessoas

Paulo parte de 2 Timóteo 3.16: toda a Escritura é inspirada por Deus e “apta para o ensino, correção, repreensão e instrução na justiça”, para que o homem de Deus seja preparado para toda boa obra. Ele afirma que a Palavra deixou de ser, na prática, instrumento de ensino e formação de caráter, para se tornar matéria de estudo bíblico, de sermão, de teologia acadêmica e de disputa doutrinária. Em vez de nos tornar pessoas mais justas e semelhantes a Cristo, muitos usam a Bíblia para sustentar sistemas, métodos, estratégias de culto e “teologia sistemática”, sem transformação concreta de vida.​

O pregador lembra que Pedro escreve que as promessas de Deus nos tornam “coparticipantes da natureza divina”. A função da Palavra é formar a pessoa de Cristo em nós – mente, corpo e espírito – e não apenas produzir crentes cheios de convicções, dogmas e regulamentos. Cristo, diz Paulo, não veio apenas como pregador da Palavra, mas como a própria Palavra encarnada; o alvo é que a igreja seja hoje essa mesma encarnação, de modo que as pessoas “comam um pedaço de nós”, participem da mesma substância de que somos feitos – amor, justiça, entrega.​

Naturaza de Deus x poder de Deus

Um dos eixos centrais da mensagem é a diferença entre natureza e poder. A Bíblia afirma que, pela Palavra, somos feitos coparticipantes da natureza de Deus, mas o diabo nos seduz a buscar ser coparticipantes do poder de Deus. Paulo enfatiza que ninguém será coparticipante do poder divino: Deus é onipotente, onipresente e onisciente, e isso não é compartilhável, sob pena de deixarmos de falar de Deus.​

Jesus não veio revelar o poder de Deus, mas a sua natureza. Para isso, esvaziou-se de sua forma de Deus, assumindo forma humana e se fazendo servo entre nós. Quando usamos oração, Bíblia, culto, ofertas e devoção como meios de “atrair poder” – poder para vencer os outros, chegar “na frente” na vida, provar que somos mais abençoados – distorcemos o propósito da fé. A verdadeira fé não é para produzir devotos poderosos, mas filhos que participam da natureza do Pai: humildade, serviço, paciência, disposição de ficar por último na fila para que ninguém fique para trás.

Fé corrompida: quando a devoção vira disputa

Ao abordar Lucas 22, Paulo mostra Jesus corrigindo a lógica de poder entre os discípulos. Enquanto eles discutem quem é o maior, Jesus declara que entre os seus o maior é o que serve, o mais velho deve parecer o mais jovem, e o que governa deve assumir postura de servo à mesa. Essa inversão revela como a fé pode se corromper quando assume a lógica do poder: usamos a Bíblia e a espiritualidade para distinguir quem merece mais, quem está “certo” e quem está “errado”, quem é “mais ungido” e quem está fora do padrão.​

Nesse contexto, Paulo trabalha a advertência de Jesus a Pedro (“orei por ti para que a tua fé não desfaleça”). O “desfalecimento” da fé, explica o pregador, não é deixar de acreditar em Deus, mas permitir que a fé mude de propósito. Uma fé desfalecida é aquela que deixa de servir para fortalecer os irmãos e passa a ser instrumento de devoção competitiva, de busca de poder, de autojustificação. O resultado é um ambiente religioso onde pregações, milagres e filantropia são usados para alimentar inimizades, justificar divisões e legitimar o orgulho espiritual.

Amor que não seleciona quem “merece”

Paulo insiste que a Palavra de Deus não foi dada para nos tornar juízes de mérito – quem está certo ou errado – mas instrumentos de justiça. Doutrinas, crenças e dogmas podem até definir “quem está certo”, mas o Evangelho nos chama a amar, inclusive – e especialmente – quando o outro está errado. Amar apenas quem está certo, ou quem pensa como nós, não é amor, é interesse.​

Jesus reescreve o mandamento do amor: não basta amar o próximo “como a si mesmo”; agora, a medida é “como Eu vos amei”. Isso significa amar dando a vida, oferecendo-se em favor do irmão, sobretudo quando ele erra, falha, se perde. No exemplo do pregador, quando o irmão está certo, quase “amamos devagar”, para não alimentá-lo em vaidade; quando está totalmente errado, amamos “com pressa”, para que ele não se desespere. A marca da conversão não é o acerto doutrinário, mas a disposição de repartir-se, de ser “corpo de Cristo” partido em favor dos irmãos.

A parábola dos dois filhos e a hostilidade ao Pai

Ao discutir a chamada “hostilidade ao divino”, Paulo recorre à parábola do pai com dois filhos. Ele afirma que a grande dificuldade de conversão hoje não está em quem “faz tudo errado”, mas em quem “faz tudo certo” – o filho mais velho. O filho que erra facilmente busca o poder de Deus para resolver seus problemas; já o que se considera correto se sente credor de Deus, esperando uma espécie de “indenização divina” por sua devoção, e resiste à graça oferecida ao irmão que não merece.​

A suposta hostilidade de nossa época, portanto, não é contra Deus enquanto divindade – o mundo está cheio de templos, cultos e devoções –, mas contra a paternidade de Deus. Somos devotos do divino, mas hostis ao Pai que faz nascer o sol sobre bons e maus, e reparte a herança com quem não merece. Resistimos não à fé em si, mas a crenças que nos igualam ao outro, que destroem nossa pretensão de mérito e exclusividade. Em linguagem pastoral, Paulo denuncia que usamos nossas crenças para separar, para decidir quem merece bênção e quem deve continuar “sob maldição”, enquanto, na verdade, muitas vezes somos nós, “os crentes”, que seguramos o que Deus quer repartir com a cidade inteira.

Monoteísmo funcional: um só Deus, Pai de todos

Outro ponto importante é a crítica à disputa religiosa entre monoteísmo e politeísmo. Paulo reconhece que o mundo pensa haver muitos deuses, com devotos para cada um deles, mas insiste que, pela revelação de Cristo, sabemos que há um só Deus. Esse Deus, porém, não é apenas “o único Deus verdadeiro”, mas Pai de todos, que está em todos e age por meio de todos.​

Por isso, não faria sentido a igreja reunir-se apenas para “merecer mais bênção” do que aqueles que, fora da fé cristã, buscam a Deus em sua ignorância. Em vez de cultivar cultos competitivos (“aqui a unção é maior”, “a bênção aqui é completa”), a comunidade de fé deveria buscar ser iluminada pelo Espírito para assumir a mente, o corpo e o Espírito de Cristo em favor dos outros. O evangelho não é um instrumento para montar liturgias mais eficientes, mas o poder de Deus para nos converter ao nosso irmão.​

Conversão verdadeira: voltar-se ao irmão

O pregador insiste que estamos pregando o evangelho como se as pessoas precisassem se converter primordialmente “a Deus”. Mas, para quem já é devoto – e a humanidade, diz ele, é estruturalmente religiosa –, o desafio não é começar a cultuar uma divindade, e sim converter-se uns aos outros, como filhos de um mesmo Pai. O texto de João 1 é lembrado: “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”.​

A verdadeira conversão se manifesta quando, fortalecidos na fé, nos tornamos resposta ao clamor dos outros, e não juízes de suas crenças. Jesus ora por Pedro – e por nós – para que a fé não desfaleça, isto é, não se corrompa; o fruto dessa fé preservada é que, uma vez convertidos, fortalecemos nossos irmãos. A evidência de uma igreja convertida não é sua capacidade de multiplicar doutrinas, denominações ou liturgias, mas sua dedicação em cuidar, amar e sustentar quem, muitas vezes, nem se considera “irmão”.

Conclusão: da devoção competitiva à comunhão de filhos

Ao final da mensagem, Paulo resume o propósito da conferência e do estudo bíblico do ano: toda a Escritura está sendo trabalhada para formar, no ministério, gente que pratica justiça, e não apenas devotos que “acertam no culto”. O Pai recebe as orações de todos os povos e religiões e faz à igreja uma pergunta: “Quem irá por nós?”. A resposta não deveria ser a oferta de mais uma doutrina ou liturgia, mas de uma comunidade que decide ser coparticipante da natureza de Deus e se converter, de fato, aos irmãos.​

Para o leitor do Blog do Cláudio Camargo, a mensagem de Paulo Borges Júnior é um convite a revisitar a própria espiritualidade. Em vez de alimentar uma devoção competitiva, que busca poder, reconhecimento e mérito, somos chamados a uma fé que assume a mesa do serviço, a fila do último lugar e a ousadia de amar quem não merece. Não é a cidade que resiste a Deus, afirma o pregador; muitas vezes somos nós, os religiosos, que resistimos ao Pai e à sua forma escandalosa de repartir graça com todos.


fonte: YouTube: https://youtube.com/watch?v=pibPfFtxxGM


Publicado

em

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Notícias do Blog


Conheça nossos serviços

Estamos aqui para fazer você crescer com as melhores estratégias do mercado. Juntos vamos transformar esse negócio!


Desbloqueie sua capacidade de criar sites profissionais!

Venha fazer uma CONSULTORIA DE CRIAÇÃO DE SITE com duração de 1h30min E APRENDA de uma vez por todas a criar sites verdadeiramente elegantes, que vendem e lotam sua agenda. Comece Agora!

​Atenciosamente,

Claudio Camargo - Marketing

Claudio Camargo
novos negócios
claudiocamargo.com.br
WhatsApp: (19) 99182-9137

AgDSN Agência
Marketing e Estratégia
agdsn.com.br
Campinas • São Paulo • 🇧🇷