A chegada do 13º salário deve colocar novamente duas prioridades frente a frente no orçamento dos brasileiros: reorganizar as finanças ou ampliar o consumo no fim do ano. O cenário de 2026 combina melhora no mercado de trabalho com um nível elevado de endividamento das famílias, o que aumenta o peso do planejamento sobre o destino do recurso extra.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostram que 82% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em julho de 2026, maior percentual registrado pela série histórica até então. Um ano antes, a proporção era de 78,5%. A parcela média da renda comprometida com dívidas estava em 29,5%.
Consumo continua disputando espaço no orçamento
Apesar da pressão das dívidas, pesquisas realizadas no último fim de ano mostram que o 13º salário não é direcionado exclusivamente à reorganização financeira.
Em levantamento realizado em 2025 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, 50% dos recursos do 13º dos consumidores pesquisados seriam destinados a presentes, comemorações de fim de ano ou compras pessoais. Separadamente, 30% indicaram intenção de comprar presentes, 21% pretendiam gastar com festas e 20% planejavam realizar compras pessoais que haviam sido adiadas.
O comportamento mostra como a renda adicional de novembro e dezembro exerce duas funções simultâneas: aumenta temporariamente a capacidade de consumo e abre espaço para organizar compromissos acumulados durante o ano.
Essa decisão ganha importância diante do atual quadro de endividamento. Embora 82% das famílias tivessem dívidas em julho, a parcela com pagamentos atrasados era menor, de 29,8%. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, porém, o endividamento chegava a 84,9% e a inadimplência atingiu 38,5%.
Mercado de trabalho amplia renda disponível
O mercado de trabalho apresenta um contraponto a esse cenário. Dados do IBGE mostram que o rendimento médio mensal real de todas as fontes alcançou R$ 3.367 em 2025. No trimestre encerrado em abril de 2026, o rendimento médio habitual do trabalho chegou a R$ 3.732, avanço de 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A melhora da renda pode aumentar a capacidade de organização financeira, mas não elimina a necessidade de considerar compromissos que continuarão incidindo sobre o orçamento após as festas.
Antes de definir quanto do 13º será destinado às compras, uma alternativa é mapear parcelas já existentes, contas recorrentes e despesas previstas para os primeiros meses do ano seguinte. Nesse planejamento podem entrar diferentes compromissos de crédito já assumidos, incluindo o empréstimo consignado para servidores públicos, quando fizer parte do orçamento familiar.
Janeiro também pesa na decisão sobre o 13º
O destino do dinheiro extra também precisa competir com despesas que tradicionalmente se concentram no início do ano. Impostos, matrícula e material escolar, seguros e outros pagamentos anuais podem reduzir rapidamente a folga financeira obtida em dezembro.
Por isso, a escolha entre quitar compromissos, formar uma reserva ou consumir não ocorre de maneira isolada. O nível de endividamento, a estabilidade da renda e as despesas previstas para os meses seguintes alteram a capacidade de cada família de utilizar o benefício.
Os números indicam que o consumo segue relevante para o destino do 13º, principalmente durante o Natal, mas encontra em 2026 um consumidor que chega ao fim do ano com parcela significativa da renda já comprometida. Nesse cenário, o dinheiro extra tende a funcionar menos como um recurso de finalidade única e mais como uma peça de ajuste entre compras, dívidas e despesas futuras.




Leave a Reply